Energias Sustentáveis
Aconteceu nesta quarta-feira o Seminário de Energias Sustentáveis na Olimpíada do Conhecimento promovida pelo SENAI. Apesar de poucas pessoas presentes, as palestras foram ótimas, bastante esclarecedoras. Destaque para o Professor Célio Bermann que esclareceu o conceito de Energia Sustentável. Segundo ele, não existe energia limpa e sustentável, pois toda forma de geração de energia elétrica provoca uma degradação no meio ambiente. Por isso, o termo correto seria Energias Renováveis.
O professor também chamou a atenção para a falta de cursos de qualificação em energia no Brasil. Podemos encontrar cursos a nível de pós graduação na USP, Unicamp e UFRJ por exemplo. Mas ainda não existe um Bacharel em Energia que qualifique os profissionais em caráter multidisciplinar. Outro problema apontado por Cláudio Pazin, diretor de Recursos Humanos da Tecsis (empresa que fabrica pás para turbinas eólicas) é que os profissionais que se qualificam em Energia muitas vezes ficam restritos à uma àrea apenas – os qualificados em biomassa não entendem de energia eólica – e isso dificulta mais ainda o encontro dessas pessoas.
Um dos maiores desafios nessa área é a busca de maior eficiência na distribuição da energia elétrica. Segundo Barmann, existe uma perda técnica de 15% da energia no Brasil, da geração à distribuição nas casas. Nos EUA, esse desperdício é de 7%, e no Japão, 6%. Apesar dessa absurda diferença, não há muitas pesquisas no Brasil voltadas para a solução deste problema.
O tema dos carros elétricos também foi discutido. Os maiores desafios envolvem o aumento da autonomia (quanto tempo sem recarga o carro consegue andar – atualmente em torno de 80km), a diminuição no tempo dessa recarga (em geral, de 4 à 8 horas), e os custos, muito elevados para uma produção em larga escala. A proposta é desenvolver projetos de carros elétricos e baterias de lítio que podem ter alto poder de armazenagem. Apesar de muitas opiniões negativas de que o futuro dos elétricos esteja longe, o Professor Célio acredita que este cenário está próximo e que seja a solução mais real.
Outro fato apresentado (de que eu não tinha conhecimento ainda) é que o Pré Sal é uma grande descoberta e blábláblá, mas falta desenvolver uma tecnologia que capture os 10 à 15% de CO2 que vem associado ao gás natural.
Um gráfico muito interessante apresentado pelo Cláudio Pazin, foi a da complementação que a Energia Eólica pode dar à Energia Hidrelétrica. Isso é, nos meses que as chuvas diminuem, os ventos tornam-se melhores. Então quando há uma baixa na produção da energia nas usinas hidrelétricas, pode-se compensar a falta com a produção de mais energia eólica.
Atualmente, 45,4% da energia produzida no Brasil é renovável. A média dos outros países é de 12%. A energia que tem o maior potencial de expansão é a Solar, podendo ser até 800x mais até 2020, enquanto a eólica até 400x. O Brasil tem uma enorme oportunidade de substituir o uso de energias fósseis por energias renováveis. E além do ganho em preservação ambiental, o mercado mundial pode começar a preferir produtos “MADE IN BRAZIL” por serem fabricados com energia renovável – que não é limpa, mas que polui muito menos que os combustíveis fósseis.


