
O Meu Mundo Sustentável como Apoio de Mídia oficial do Fórum EcoTech, estava lá hoje presente para o 1º dia de evento no Novotel Jaraguá, em São Paulo.
Muitos dos acessos para o Meu Mundo Sustentável vêm da procura no Google de termos como casa ecologicamente correta, casa ecológica, casa sustentável, construção ecológica, arquitetura sustentável,… enfim, desse assunto que vem sendo tão discutido nos últimos anos! Além de profissionais e estudantes da área, são muitas as pessoas que me procuram querendo saber como reformar sua casa para transformá-la em uma construção sustentável.
Por isso, eu me sinto na obrigação de trazer novas informações sobre o assunto para ajudar na divulgação do conceito e na promoção de novas casas ecológicas pelo Brasil!
Apesar de ser formada em gestão ambiental, eu tenho uma queda pela Arquitetura (se hoje o Meu Mundo Sustentável não existisse, seria culpa da arquitetura!!) e posso dizer que o primeiro dia do Fórum EcoTech se resume à uma palavra: INSPIRADOR!
Materiais de Construção de Baixo Impacto
José Fantin – Anamaco
Na parte da manhã, foi abordado o tema dos materiais ecológicos. José Fantin foi o primeiro a falar, representando a Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), e contextualizou o cenário dos materiais de construção no Brasil. Um dado curioso é que 2010 em relação à 1970 teve um crescimento de 270% de domicílios no país, enquanto o crescimento da população foi de 105%. Isso significa que mais pessoas estão morando sozinhas, o que significa mais construções e mais poluição! Fantin também observou que a cultura de grandes empresas não costuma mudar para o pensamento sustentável enquanto sua produção está lucrativa. Segundo ele, de 20 a 22% dos materiais é colocado como lixo na construção civil. O que é um desperdício tremendo já que além do uso eficiente, há a possibilidade de reutilização e reciclagem dos resíduos da construção para a fabricação do mesmo ou de novos materiais!
Blaine Brownell
Foi um dos destaques, a palestra do arquiteto e autor do livro Transmaterial. Ele apresentou algumas idéias sensacionais para aqueles que buscam novos materiais que são feitos de maneira mais sustentável para a construção civil. Algumas delas:
- janelas que podem gerar energia
- concreto que transmite luz – que é translúcido
- cerâmica transparente
- piso que no escuro fica iluminado – pigmento foto iluminescente
- isolamento de cogumelos, um fungo que se multiplica
- cimento e gesso feitos sem uso de calor, por reação térmica
- produto que é feito por uma determinada espécie de plantas não nativas de uma região – material gratuito e que a população agradece por tirar do local que está sendo prejudicado por essa planta.
- talheres descartáveis feitos de bioplástico
- laboratório de baixo custo – movimento faça você mesmo – as pessoas podem produzir seus próprios materiais/produtos
- bancada e pias feitas da reciclagem de frascos de detergentes, garrafas PET, cacos de vidro, metais e tudo mais que foi jogado fora
- azulejo flexível
- concreto que não precisa de armação
- materiais resistentes a incêndios
- zinco misturado com esponja/espuma para ficar menos condensado e ficar mais expandido.
- concreto de fibra de carbono para substituir o aço
- concreto dobrável para evitar as destruições decorrentes das atividades sísmicas
- estradas que absorvem partículas poluidoras da atmosfera
- sondas na água que permitem verificar se é possível nadar
- vitrine que pode mudar para um cartaz
- materiais macios que podem se enrijecer para fins de segurança
Blaine falou que os modelos de fabricação e distribuição vão mudar e que tudo será ONLINE. A proposta será a criação de uma plataforma na internet em que o designer envia sua criação e o produto é fabricado no local onde será consumido, sem a necessidade de transporte! O arquiteto afirma que o maior desafio será a criação de projetos de readaptação dos prédios, reutilizando as estruturas já existentes. Veja mais sobre o seu trabalho no site: http://transmaterial.net/
Newton Massafumi
Uma dos projetos apresentados pelo arquiteto foi a Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade – ESCAS – que foi projetada numa APA – Área de Preservação Ambiental de São Paulo, originando uma série de desafios para evitar o impacto da construção no local. Outro projeto que causou bastante admiração pelos paulistas é a criação de parques de vegetação pela cidade de São Paulo nas regiões das nascentes, diminuindo a ocorrência das famosas inundações do verão.
Produção e Eficiência Energética
Renata Semin
A arquiteta junto com seus sócios da empresa Piratininga Arquitetos Associados, receberam um prêmio pelo projeto da Biblioteca Central do campus II da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Outro destaque da empresa é o projeto feito para a COSAN, com vários artifícios para aproveitamento dos recursos naturais da região, como sol e massas de ar. Veja mais em: http://www.piratininga.com.br/projetos.html
Leandra Gonçalves – Greenpeace
Bióloga e ativista do Greenpeace, Leandra coordenou a Campanha de Baleias do Greenpeace Brasil, e atualmente coordena a Campanha de Oceanos e faz parte da equipe de Clima e Energia, onde trabalha por um ordenamento do território marinho, visando impedir a abertura de novos blocos de exploração de petróleo e uma migração para uma matriz mais limpa de energia, construída com novas renováveis. Sua palestra apresentou a justificativa para a temática do evento, alertando a platéia da ameaça do aquecimento global para a população e para o planeta.
Um dos comentários dela mais interessantes foi o fato do Brasil ter “chegado atrasado” ao futuro, querendo persistir na cultura do uso dos combustíveis fósseis com a exploração do Pré-Sal enquanto muitos países desenvolvidos estão buscando investir em energia limpa que não tenha emissão de poluentes. E como exemplo o acidente no Golfo do México, nós estaremos sujeitos à riscos de vazamentos que podem prejudicar a qualidade da vida nas regiões costeiras do Brasil, ainda mais por ser uma exploração inédita abaixo dos 7 mil metros do nível do mar.
Ela citou o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, que mesmo sendo um projeto economicamente viável (por ser uma tecnologia limpa), não é socialmente justo, principalmente por afetar a vida da população local. O ideal, segundo ela, é investir na construção de hidrelétricas em corpos hídricos de pequeno porte, e descentralizar o sistema energético para baratear custos e evitar o desperdício durante a transmissão.
Leandra citou exemplos de uso para cada tipo de energia renovável, como a biomassa que poderia ser usada para combustíveis de caminhões, a energia solar que poderia ser financiada para ser aplicada em moradias onde não tem acesso à energia (evitando o custo com a construção de linhas de distribuição), e a energia eólica que apesar de algumas desvantagens é a segunda energia mais barata depois da hidrelétrica.
Com base em gráficos, ela explicou que dos 445 TWh, 84% da energia do Brasil atualmente vem da energia das hidrelétricas. A projeção do governo para 2050 é que esse número caia para 56% justificado pelo aumento da demanda de energia total para 1582 TWh com uma eficiência energética de 6,8%. Mas o Greenpeace fez um estudo da projeção baseado em uma Revolução Energética, para geração de 1197 TWh com 26% de eficiência energética, usando principalmente 46% de energia hidrelétrica, 20% de eólica e 16% de biomassa.


Atualmente, a construção civil é responsável por 42% do consumo de energia no país, e por 40% das emissões de CO2 no mundo inteiro. Veja o documento em PDF sobre o tema clicando aqui.
Fabiano Sobreira – IAB
A palestra sobre os riscos da onda verde, pelo arquiteto, foi na verdade uma provocação quanto à obsessão pelas certificações sobre construção sustentável. Fabiano questiona o sistema do LEED que é uma certificação importada, e muitas vezes pode não levar em conta aspectos culturais e regionais das cidades do Brasil. E que as certificações deveriam ser apenas conseqüência de um bom projeto!
Bill Dunster – Zed Factory
Na minha opinião, foi a melhor palestra de todas (também a mais esperada, por mim pelo menos! Já que eu havia anteriormente citado com admiração aqui no site, o projeto do Bed Zed nesta matéria )
Bill Dunster é o arquiteto responsável pela criação do projeto do Bed Zed, uma espécie de comunidade de construções ecológicas que utilizam sistemas de circulação do ar eficientes, geração de energia, e uso racional de materiais de construção.
Depois vou fazer uma matéria mais detalhada das informações que ele deu, e caso eu consiga os slides com a AEA, eu publico algumas imagens INSPIRADORAS pra vocês!! Enquanto isso leia mais sobre o projeto no site: http://www.zedfactory.com/

Resumindo…
A pergunta final depois de muita informação e debate foi: Como identificar os melhores materiais para se utilizar numa construção ou como escolher entre dois materiais qual o aspecto mais relevante para uma construção de baixo impacto ambiental?
Convido vocês a participarem com a opinião de vocês!
Veja mais sobre os palestrantes aqui!






Ah, como eu queria ir nesse fórum!
Gostei do post, acho esses projetos de construção sustentáveis muito legais!
[...] This post was mentioned on Twitter by MeuMundoSustentável, Censo das Eco Redes . Censo das Eco Redes said: Primeiro dia #Fórum EcoTech http://bit.ly/eMOnwN via @mmsustentavel [...]
Parabéns Andrea! muito bom!